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Vale de Prados
Vale de Prados, também conhecida como Vale de Prados –o- Grande, é uma das
mais antigas freguesias do concelho de Macedo de Cavaleiros, distrito de
Bragança, com área de 8,81km2, composto pelas aldeias de Vale de Prados e
Arrifana, com território inserido na Paisagem Protegida da Albufeira do Azibo e
na Reserva da Biosfera Transfronteiriça da Meseta Ibérica, assim classificada pela
UNESCO, como a maior reserva da Europa.
Pese embora diste cerca de 2km da cidade de Macedo de Cavaleiros e por isso
num crescendo de habitantes, contrariando a tendência demográfica dominante,
Vale de Prados mantem-se, ainda assim, fiel às origens, apresentando-se como
aldeia típica transmontana, sendo possível identificar o aglomerado populacional
original e a arquitetura tradicional transmontana com casas em alvenaria de pedra
edificadas em redor da Praça principal da aldeia, Praça Rei D. Dinis, onde se
encontra edificado o Pelourinho de Vale de Prados, património classificado, e a
Igreja Matriz de Vale de Prados. É possível identificar, também, na Praça D,
Dinis, o tanque antigo em pedra e na parte antiga da aldeia vários fontenários,
também em pedra bem como a fonte da Oliveira e a fonte da Buraca e o antigo
edifício da Camara Municipal, tendo sido a aldeia foi sede de concelho.
Historia
O nome de Vale de Prados está intimamente relacionado com a sua posição geográfica, entre o alto de Santa Catarina e a Serra do Cubo, com o solo fértil e a verdejante paisagem, que se mantém desde os tempos remotos em que surgiu o topónimo.
O seu povoamento é muito antigo, como o provam os registos medievais que se lhe referem, e bem assim alguns achados arqueológicos, como o de uma sepultura, pelo povo denominada “sepultura dos mouros”.
Em tempos medievais houve outros núcleos de casas, a que se referem documentos velhos como as Inquirições do século XIII, então denominados Casas Queimadas, provavelmente relacionados com as guerras de então. E no Alto de Santa Catarina terá havido uma torre senhorial, erguida numa fraga gigantesca, entretanto arruinada e que os séculos foram gastando para pedra de construção.
De referir igualmente a “ Cortinha da Forca”, que terá sido palco de enforcamento ou decapitação de condenados por resolução régia.
Com efeito, a freguesia recebeu foral de D. Dinis, outorgado no ano de 1287 – disponível para consulta no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Chancelaria de D. Dinis, L. I, fi. 206v B – 207r A B – 207vA B – posteriormente confirmado no reinado de D. Afonso V, a pedido do Abade de Castro de Avelãs, porque a carta original estava “velha e caduca” e, em alguns lugares, não se podia já ler, temendo que acabasse por ficar de todo ilegível.
Deste modo, D. Afonso V, a 11 de abril de 1457, ordenou o traslado do foral, declarando expressamente que o mesmo «balha como proprio original», conforme relato de Lopo Gonçalves, Doutor em Leis, vassalo do desembargo e juiz dos seus feitos.
Vale de Prados foi sede de concelho até ao século XIX, e mais concretamente ao ano de 1836, data em que foi extinto e passou a integrar o concelho dos Cortiços, e posteriormente o concelho de Macedo de Cavaleiros.
Por Vale de Prados passava uma antiquíssima via, milenar, – a Estrada Real – vinda de sul para quem demandasse terras de Lampaças e de Bragança, aqui se encontrando com o “carril” que lhe chega de Nogueirinha e de Gradíssimo.
Tem como orago, São Jerónimo, padroeiro dos bibliotecários e das secretárias, honrado como sendo um dos primeiros estudiosos da Igreja com inegável contributo para a área do estudo bíblico.
Patrimonio
Pelorinho
O Pelourinho de Vale de Prados é o símbolo do poder local e do antigo estatuto de sede de concelho concedido através de foral outorgado no ano de 1287 pelo Rei D. Dinis e posteriormente confirmado no reinado de D. Afonso V pelo mesmo no ano de 1457.
Além de constituir memória viva dos antigos tempos forais, é marco histórico- cultural da aldeia e Imóvel de Interesse Público, assim classificado nos termos do Decreto nº 23 122, DG, 1.ª série, n.º 231 de 11 outubro.
O Pelourinho apresenta estrutura em cantaria de granito, composta por soco octogonal de três degraus, sendo o terceiro para compensar ligeiro declive. Sobre eles assenta uma base cúbica facetada de 60 cm, que suporta fuste oitavado monolítico. A coluna termina num capitel redondo onde se inscreve uma cruz de braços iguais possuindo figuras zoomórficas e antropomórficas nos seus topos e intervalos. Existem igualmente as representações do sol e da lua. Remate em paralelepípedo onde estão representadas as armas de Portugal envoltas por um homem de braços abertos, na face frontal, um touro relevado, na face oposta, e almofada contendo losango nas faces laterais.
Igreja Matriz e antigo edifício da Casa dos Capitães-Móres
A Igreja Matriz de Vale de Prados data do século XVII com decoração interior deste século e do século XVIII. No seu exterior de fachada simples, com dupla sineira e frontão triangular, é, no seu interior de uma só nave com retábulos laterais maneiristas e de decoração barroca. Imagens de Nossa Senhora, Santo Estêvão e São Jerónimo, este último o orago da paróquia cuja festa se celebra, por tradição, no segundo sábado de Agosto.
Neste mesmo enquadramento da igreja e do Pelourinho surge o tanque, de sineta de avisos e pregões, carrancas a golfar a água, cuja data original de edificação se desconhece. Na rua lateral à igreja, a Casa dos Capitães-Móres, tida como a Casa da Câmara, é também um testemunho histórico do passado, ainda com as suas belas cantarias clássicas nas portas e nas janelas.
Santuário e Fonte de Santa Catarina
A Fonte de Santa Catarina está junto à capela do mesmo nome, de resto, santa objecto de grande fé e devoção na freguesia de Vale de Prados, cuja festa se realiza no domingo seguinte ao dia 25 de Novembro, sendo tradição após procissão e missa campal ali se comerem sardinhas assadas.
Com a construção da estrada nacional que atravessa a freguesia, a fonte ficou soterrada, pelo que foi feito, no muro de suporte desta, uns degraus para acesso e o nicho para a água correr da mesma fonte, uma pedra lavrada com motivos vegetalistas em forma de arco, assente sobre uma outra onde uma concavidade permite encher um púcaro com a água virtuosa. Já em 1726, Francisco da Fonseca Henriques, no seu famoso livro Aquilégio Medicinal, se lhe refere pelas suas propriedades curativas.



